Maha Lilah - O Jogo da Autoconsciência

Maha Lilah - O Jogo da Autoconsciência

O Maha Lilah, jogo milenar hindu, é para os indianos o que o tarô é para os europeus e o I-Ching para os chineses: uma descrição dos estados e as situações pelas quais circula o homem no processo de crescer através da vida. Para jogar o Mahalila precisam-se quatro coisas:
1) o tabuleiro,
2) um dado,
3) estas instruções, e
4) um objeto pessoal como uma medalha, um anel ou uma chave que o jogador utilize freqüentemente e que o representará no jogo.
Ao iniciar, cada jogador coloca seu símbolo na casa 68, a Consciência Cósmica (Vaikuntha Loka) e aquele que tirar o maior número numa primeira rodada do dado lerá para os demais jogadores este texto:
Antes de jogar o jogo estamos na meta final dele, o Ser, que, sem forma nem nome, é fonte de todo o que existe. Mas o dado do karma registra as vibrações do jogador, que logo escolherá uma forma e um nome para jogar o jogo das escadas e das serpente, através dos oito níveis do Mahalila, o grande jogo, até voltar à fonte original, onde tudo recomeça eternamente.
Depois, ele joga o dado e o passa para a pessoa à sua direita. Quem tirar um número um move seu símbolo para a primeira casa, nascimento (janma), e lê seu significado em voz alta para os demais jogadores.
Nas próximas etapas do jogo, a cada vez que um jogador tirar um seis, avança sem ler e joga o dado novamente até tirar um número diferente de seis. Somente no último movimento lerá a descrição da casa em que caiu. Quando o símbolo do jogador cair na base de uma escada, move seu símbolo até o fim dela, lendo a descrição dessas duas casas. Quando o símbolo cair sobre a cabeça de uma serpente, deve descer até o extremo da cauda, lendo as duas descrições correspondentes. O objetivo do jogo é chegar na Consciência Cósmica (vaikuntha loka), a casa 68. Se o jogador alcançar a oitava fileira e passar do 68, deve avançar e retroceder entre a casa 69, plano do Absoluto (brahma loka) e a 72, inconsciência (tamoguna), até tirar a cifra exata que o deixe na boca de serpente, que o engolirá e levará de volta para a terra (prthivi), na casa 51. Lançar os dados simboliza a influência do caos em uma existência que nem sempre acontece dentro de uma seqüência lógica. Cada casa tem um nome e corresponde a um nível de consciência no processo do autoconhecimento. Os nomes das casas levam o jogador a meditar sobre o conceito por trás da palavra e a familiarizar-se com a metafísica hindu como veículo para o auto-conhecimento. Cada fileira que o jogador ascende, como numa espiral, equivale a um chakra, centro de energia no ser humano onde se expressa a energia cósmica, indo desde o mais denso (muladhara) ao mais sutil (sahasrara), e além dele, até o plano da consciência cósmica (chamada no hinduísmo vaikuntha loka, (plano celestial), em que se transcende a individualidade.
O jogo conclui quando o jogador cai exatamente na casa 68, Consciência Cósmica (vaikuntha loka), seja através da ascensão numérica, seja pela escada que inicia na casa 54, exercício espiritual (sadhana). Jogando várias vezes, você irá descobrir circuitos freqüentes, escadas auxiliadoras e serpentes amistosas. Isto é o que torna o Mahalila um jogo de auto-conhecimento. Há somente um jogo: o jogo em que cada um de nós é um jogador representando seu papel. Esse é o jogo universal da energia cósmica, mahalila. Após iniciar o jogo, o tabuleiro começa a brincar com a mente, com o ego e com o sentido da própria identidade do jogador.