Oficina de Escultura e Xilogravura

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Xilogravura

Conhecida desde o Século VI pelos Chineses, a Xilogravura só passou a fazer parte do ocidente na Idade Média e foi muito utilizada na produção em massa de imagens e livros.

A Xilogravura popular brasileira possui a característica do traço medieval português, que foi transmitido no processo de colonização, e que posteriormente tornou-se o que ficou conhecido como Literatura de Cordel. É muito popular no Nordeste e quase todos os xilógrafos brasileiros provem deste estilo.

Xilogravura quer dizer gravura em madeira. É uma técnica no campo das artes visuais que consiste em utilizar um pedaço de madeira e entalhá-lo, de forma a deixar em relevo parte do desenho fazendo com que somente o relevo seja preenchido com a tinta que será utilizada após entalhar. Em outras palavras, é basicamente um carimbo. Para efetuar as impressões, utiliza-se uma prancha que pressiona a folha e a matriz, carimbando toda a área do papel de forma mais homogênia possível e após esse processo alguns artistas pressionam colheres-de-pau em determinados pontos da folha que possívelmente não foram preenchidos totalmente com tinta. Também é possível usar outro suporte além da folha de papel.

É importante lembrar que no caso de entalhar e imprimir letras separadamente ou palavras a fim de montar frases e textos, deve-se entalhá-las sempre ao contrário pois a impressão inverte a imagem.

 

Materiais

Além da madeira e da prensa, os materiais necessários para a Xilogravura são as goivas, a tinta e o rolinho (e a colher-de-pau, caso não tenha a prensa). Existem vários tipos e tamanho de goivas. As mais comuns são a de corte V e U, bem como a goiva de corte, que é utilizada basicamente para “abrir caminho” e facilitar o entalhe com as outras goivas.

Existem as tintas à base de água e as tintas chamadas de “gráficas”. As tiintas à base d'água tem a característica de secar muito rapidamente, não possibilitando que carimbe toda a imagem na superfície, e por isso não são tão usadas para trabalhos de grandes dimensões. Já a tinta “gráfica” deve ser utilizada junto de um solvente e possibilita maior absorção da tinta na superfície. Por isso que, se for utilizar papel, este deve ser de gramatura um pouco elevada para evitar o enrugamento da fibra.

O rolinho que se utiliza para espalhar a tinta sobre a madeira não deve ser o rolinho comum, pois o solvente (caso seja utilizada a tinta gráfica) corroe toda a espuma. Para esse caso, é interessante utilizar o rolinho revestido com borracha.

 

Escultura

A escultura é uma das primeiras linguagens artísticas que existem no mundo. Trata-se de representar de forma tridimensional toda e qualquer coisa que o artista desejar esculpir, podendo utilizar para tal diversos materiais como mármore, madeira, argila, gesso, bronze e tantos outros. Neste caso, utilizaremos a modelagem com argila.

A técnica consiste basicamente em acrescentar e tirar volumes de argila do objeto a ser construído, fazendo com que seja um processo lento apesar de simples. 

A cerâmica nasceu principalmente da necessidade do ser humano de armazenar coisas, o que faz com que essa técnica seja extremamente antiga. Por isso é tão comum a confecção de vasos e vasilhames para uso doméstico. Posteriormente ela também foi utilizada para construção civil.

O valor estético da escultura, seja ela de qualquer tipo, foi sempre utilizado para representar o corpo humano, ou divindades mitológicas, que vem desde o período da Antiguidade Grega e perdurou fortemente até os períodos Renascimento e Barroco. No passado, o papel da escultura era sempre conectado de alguma forma à religião, ainda que o catolicismo tenha sido mais presente, diversos credos foram representados através dessa arte.

No Brasil, a cerâmica surge na Ilha de Marajó. A cerâmica marajoara remete à cultura indígena da ilha. Estudos arqueológicos, contudo, indicam a presença de uma cerâmica mais simples, que indica ter sido criada na região amazônica por volta de cinco mil anos atrás.  A cerâmica marajoara era altamente elaborada e de uma especialização artesanal que compreendia várias técnicas: raspagem, incisão, excisão e pintura. A modelagem é tipicamente antropomorfa, embora haja exemplares de cobras e lagartos em relevo. De outros objetos de cerâmica, destacavam-se bancos, estatuetas, rodelas-de-fuso, tangas, colheres, adornos auriculares e labiais, apitos e vasos miniatura. Mesmo desconhecendo o torno (máquina utilizada para fazer vasos, vasilhames, potes e entre outros, que garante simetria e melhor acabamento na peça, além de diminuir o tempo de trabalho) e operando com instrumentos rudimentares, os indígenas criaram uma cerâmica de valor, que dá a impressão de superação dos estágios primitivos da Idade da Pedra e do Bronze.Dessa forma, a tradição ceramista não chegou ao Brasil com os portugueses ou na bagagem cultural dos escravos, como muitos acreditam.

O processo empregado pelos indígenas, no entanto, sofreu modificações com as instalações de olarias nos colégios, engenhos e fazendas jesuítas, onde se produziam tijolos, telhas e louça de barro para consumo diário. A introdução de uso do torno e das rodadeiras parece ser a mais importante dessas influências.

 

Materiais

Além da argila úmida, pode se tornar necessário para o artista utilizar outros materiais como arames, cotonetes, palitos de dente e entre outros, para dar sustentação ao objeto criado evitando que peso da argila ceda à gravidade. O artista também pode utilizar espumas, plásticos ou outros materias de texturas variadas para texturizar o objeto de acordo com sua vontade. Outro material interessante para usar no processo são as estecas, que podem variar de tamanho, formado e material, e são utilizadas para auxiliar e direcionar melhor o processo de retirar a argila de determinados pontos da escultura.

 Após o processo de modelagem é necessário queimar a argila. Para isso é preciso utilizar um forno que alcance temperaturas superiores à 600ºC. O processo de queima é necessário para aumentar a durabilidade, resistência e impermeabilidade da cerâmica, pois esta perde toda a água no processo, diminuindo 10% de seu tamanho. A queima também garante a fixação e a fundição de revestimentos decorativos (tintas) que foram aplicados à superfície.