Café Filosófico

Café Filosófico

O Café Filosófico surgiu na França em 1992 no Café de Phares, em Paris, iniciativa do filósofo Marc Sautet (1947–1998) e continua ativo até hoje. Pioneiro neste domínio da prática filosófica, Sautet escreveu o livro "Um Café para Sócrates", publicado em 1995. A sua ideia espalhou-se rapidamente pelo mundo, o que ajudou a desmistificar a filosofia, trazendo-a para fora dos muros da Academia, reconduzindo-a ao seu lugar de origem: a rua socrática. Uma rua onde se fala, onde a oralidade domina. 

No mundo moderno a rua está cheia de veículos motorizados, poluentes e barulhentos. A conversa mudou-se para o café. No entanto, esta não é uma simples “conversa de café”: a rigor, o Café Filosófico exige um moderador qualificado que tenha, pelo menos, formação superior em Filosofia. Este moderador tenta que os participantes vão além do mero discurso opinativo ou das ideias mal alicerçadas, promovendo a gestação de um pensamento lúcido, fundamentado e responsável.

E assim a Filosofia se distingue de outras matérias, como o Coaching ou a Programação Neurolinguística, que deixam uma agradável sensação de bem-estar: a ambição da Filosofia não é fazer sentir bem! O Filósofo ama a verdade e perder o chão é o risco que se corre ao tentar encontrá-la.

A filosofia é para os audazes! Não é um sofá mental e emocional. É duro descobrir uma pergunta para a qual não se tem resposta. Os participantes do Café Filosófico entregam-se de corpo e alma à procura, mesmo que isso incomode! São buscadores reflexivos, corajosos e resilientes, cuja sede de saber se sobrepõe ao desejo de conforto.

(Maria João Neves)