
Tarô Adivinhatório

Apesar do nome, o Tarô Adivinhatório não se limita a prever o futuro. Ele nasceu no século XVIII, quando o tarô começou a ser sistematizado como ferramenta de consulta espiritual, principalmente a partir dos estudos de Jean-Baptiste Alliette, o Etteilla, que foi pioneiro em publicar um baralho específico para a prática oracular. O termo “adivinhatório”, portanto, é fruto do seu tempo, quando todo oráculo era associado à ideia de adivinhação: um recurso de linguagem e até de popularização. No entanto, sua essência vai além: ele é um espelho da alma, uma bússola que orienta decisões, amplia a consciência e oferece clareza diante das encruzilhadas da vida.
Cada carta, com sua simbologia direta e acessível, torna-se um canal para a intuição. O consulente encontra, em suas imagens, não apenas figuras estáticas, mas arquétipos vivos que se movem dentro de si: o Louco que o convida a arriscar, o Enamorado que o questiona sobre escolhas, a Justiça que lembra a importância do equilíbrio. Nesse diálogo simbólico, a leitura deixa de ser um exercício de “adivinhação” para se tornar um ato de autoconhecimento profundo, onde o tarólogo atua como intérprete e guardião deste encontro.
Assim, o Tarô Adivinhatório revela-se como uma ponte entre a simplicidade da leitura objetiva e a vastidão do mistério humano. Ele fala de perdas e ganhos, de sonhos e receios, mas sobretudo da oportunidade de compreender o presente com mais clareza. Ao manusear esse baralho, não buscamos certezas rígidas, mas a orientação que desperta a coragem de escolher o próprio caminho. Cada tiragem é um lembrete de que o futuro não está gravado em pedra: ele nasce, instante a instante, das decisões conscientes que fazemos; e o tarô, nesse processo, ilumina os passos com a sabedoria dos símbolos.
